sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Novos Tempos


Texto de Sergio Bruno Tórtora
imagens do Google


Quem tirou carteira de habilitação fazendo seu exame prático dentro de um Fusca sabe o quanto o automóvel evoluiu nestes últimos anos.
Na verdade, dirigir ficou até mais fácil, porém a quantidade de tecnologia e opcionais que o automóvel passou a ter, obrigou o motorista a mudar o seu perfil. Hoje, ao dirigir um carro, o motorista precisa estudar e conhecer todos os recursos que ele oferece e programa-lo de acordo com a sua necessidade de uso. Desde os controles de posição dos bancos e espelhos retrovisores até a temperatura ambiente e posição das câmeras do veículo. Parece fácil, mas as vezes leva meses ou anos para se conhecer um automóvel. Alguns nunca o conhecem por inteiro. – Eu nunca apertei este botão, pra que serve mesmo?



Muita coisa mudou, ou melhor, modernizou. Aquele velho adesivo colocado no para brisas que informava a quilometragem para a próxima troca de óleo e filtros, por exemplo, hoje foi substituída por uma mensagem eletrônica no painel do carro acompanhado de um aviso sonoro.

Seu Otávio, no feriado passado, carregou seu carro e levou toda a família para visitar sua sogra no interior de São Paulo. Parecia uma festa, fazia uns dois anos que eles não viajavam para lá. Durante o caminho uma luz no painel acendeu. Luz que ele nunca havia visto antes. Imediatamente ele estaciona em uma área de serviço para consultar e se dá conta que deixou o manual de instruções em casa. Logo ligam para vizinha que tem uma cópia da chave do apartamento.
- Isso está na gaveta de baixo das de cuecas do Otávio...não, o Otávio está falando que deixou na gavetas das cuecas mesmo – que situação!
Depois de alguns minutos até a Shirley, sua vizinha, entender como manusear aquele livro de instruções e localizar o ícone que está acesso no painel e ainda, observar alguns modelos exóticos de cuecas, ela anuncia que a luz de advertência se refere a substituição da correia de distribuição
- Aqui diz quando a luz acende tem que substituir imediatamente. Procure uma Concessionária mais próxima.
- Agora?
Com certeza, esta importante informação pode ser necessária, mas também é broxante.





Lógico que, aqueles que nunca se deram conta do adesivo colado no para-brisa do seu carro são, provavelmente, os pais daqueles que ouvem e olham no painel o aviso de manutenção toda a vez que ligam o seu carro e ignoram completamente tal informação. Com certeza, neste mesmo período eles responderam imediatamente dezenas de mensagens que recebem no seu Whatsapp, a maioria delas sem importância alguma.
- Eu não senti nada, de repente o carro morreu.




A novela não encerra por aqui. Após a reparação do veículo cabe ao funcionário da Concessionária ou da oficina particular apagar a luz e reprogramá-la para mais adiante. Alguns veículos necessitam de um aparelho específico para isso, outros, no entanto, podem ser programados sem o Scanner. Mas não pense que é simples. O profissional terá que pagar um mico para isso.
Um dos casos, por exemplo, é simples assim: Você aperta o botão do hodômetro, segura cinco segundos, vira a chave do contato e conta até dez segurando o botão. Com a outra mão aperta o botão do relógio e vira para a esquerda, pisa no freio e acelerador ao mesmo tempo, desliga a chave e liga de novo, Ah! Tem que esperar 20 segundos em um determinado momento. Năo deu certo? Não faz mal, comece de novo, kkkkkk.
Eu fico imaginando como deve ser o escritório destes engenheiros que fazem estas programações. Deve haver diversos jogos educativos espalhados pela sala. Eles convidam seus filhos ou sobrinhos para uma reunião regado de picolés e pirulitos. De repente um dos integrantes tem uma ideia.
- Ele colocou a bolinha dentro do quadrado e deu três pulinhos!
- Genial!
- Que sacada!


E todos aplaudem. Pronto, está criado mais uma programação. Se formos analisar bem, não está muito longe das programações que os antigos engenheiros faziam. Voltando ao fusquinha, quem teve lembra como era o processo para abrir o capo dianteiro.
Uma pessoa ficava na frente pressionando o capô para baixo, enquanto uma outra pessoa dentro do carro tentava puxar a alavanca dura debaixo do painel. E isso não estava escrivo em manual nenhum e nem estava disponível na internet. Aprendia na marra.





sergiobrunot@hotmail.com






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